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30/08/2018 - 14h44

Tragédia anunciada, por Ademar Traiano




Nunca se viu - em tempos de paz e na ausência catástrofes naturais - uma tragédia humanitária como a que se vê hoje na Venezuela. Milhões de pessoas deixando o próprio país de carro ou a pé, para fugir de um regime que os reduziu a desesperança, ao medo e a fome.

Desgraça como a da Venezuela só se viu em países em guerras devastadoras, desastres provocados por terremotos gigantescos, tsunamis colossais ou secas bíblicas. O que assistimos é uma calamidade política e humana, como nunca houve em nosso Continente.

A ONU calcula que 2,3 milhões de venezuelanos já fugiram da ditadura de Nicolás Maduro. Se considerarmos a proporção das populações, esse número corresponderia ao êxodo de 15 milhões de brasileiros. É como se a população inteira, do Paraná e Santa Catarina, fugisse do país. Desses 2,3 milhões, apenas 60 mil estão no Brasil. Mesmo assim, em Roraima, sobrecarregam hospitais, colocaram os serviços públicos em colapso, trouxeram doenças, multiplicaram a prostituição e exacerbaram a violência.

Por essa amostra, pode-se imaginar o que está acontecendo no Peru e na Colômbia, destino maior dessa massa gigantesca de refugiados. As previsões para o PIB desses dois países já despencaram. Todos os indicadores econômicos, como emprego e renda, devem desabar.

A Venezuela, reduzida a pobreza extrema e a fome, está longe de ser um país pobre como o Sudão, Haiti ou Ruanda. Ao contrário, é um país riquíssimo. Tem as maiores reservas de petróleo do mundo. Elas são maiores que as da Arábia Saudita, Estados Unidos, México e Brasil somadas.

O ‘socialismo do Século XXI’, ideologia-catástrofe inventada por Hugo Chávez (1954-2013), que combinou esquerdismo, populismo, incompetência e corrupção, levou esse país riquíssimo a desmoronar e a se autodestruir em 19 anos de chavismo e madurismo.

O mais dramático no infortúnio da Venezuela é que ele não acabou. Como um terremoto em que a terra não para de tremer, ou um tsunami em que água não para de subir, Nicolás Maduro, uma espécie de Dilma Rousseff de Hugo Chávez, não concluiu sua obra de destruição. Continua no poder demolindo o que resta do país e de suas instituições. Não dá o menor sinal de que pretenda largar o osso.Tudo pode terminar em um banho de sangue.

Hugo Chávez, em um de seus muitos atos insanos, distribuiu centenas de milhares de fuzis Kalashnikov a militantes políticos nas favelas de Caracas e pelo país. Essa militância fanatizada, que recebe benesses do regime, pode resistir à bala a uma tentativa de mudar o governo.

O PT tem culpa enorme no fato da Venezuela ter se tornado o que se tornou. Lula e Dilma sempre apoiaram e deram suporte econômico e político a Chávez e Maduro. O PT foi parceiro e sócio do regime venezuelano. Inclusive em grossas falcatruas que causaram imensos prejuízos ao Brasil.

Empréstimos bilionários que nunca serão saldados, empreendimentos ruinosos como a Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, são apenas alguns dos exemplos mais flagrantes dessa parceria.

Hoje, mesmo quando essa catástrofe transborda no noticiário, e os brasileiros já começam a conviver com órfãos do ‘socialismo do Século XXI’, o PT continua a apoiar as insânias de Maduro e a atribuir suas calamidades a nebulosas “conspirações internacionais”.

Quando votar para escolher seu novo presidente, em outubro, o brasileiro deve também meditar sobre a questão da Venezuela. Qual candidato possui mais credenciais, serenidade e firmeza para lidar com esse problema que vai, cada vez mais, transbordar para o Brasil?

Deve pensar também sobre quais candidatos trazem, com sua pregação, com seu passado, com sua falta de conexão com o mundo real, o risco de envolver nosso país em uma aventura semelhante. 

 

*Ademar Traiano é deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e vice-presidente do PSDB do Paraná 

  

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