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06/12/2017 - 20h34

Esporte na infância, por Marcello Richa




É inegável que a prática de atividade esportiva, quando realizada de maneira equilibrada e respeitando os limites individuais, resulta em benefícios sociais, físicos, cognitivos e emocionais essenciais para o desenvolvimento pleno de crianças e adolescentes. Dessa forma, um dos principais desafios para qualquer gestão pública na área é conseguir promover programas e ações que sejam atraentes e de fácil acesso para esse segmento.

Uma das principais características do esporte é ser extremamente democrático e flexível, com modalidades para todos os tipos de biótipos e gostos que podem ser promovidos em diferentes espaços físicos. Quanto maior a variedade de atividades e condições de acessibilidade, melhores serão as chances das crianças e adolescentes encontrarem algo que gostam e começarem a praticar regularmente.

Nesse formato, as políticas de esporte e atividade física assumem um papel relevante na melhoria da qualidade de vida da população e dos índices dos municípios, uma vez que irão afetar diretamente outras áreas prioritárias da gestão pública, como saúde, educação e segurança.

As dificuldades, porém, são muitas, uma vez que a maioria dos municípios não dispõe de praças esportivas ou equipes para promover atividades sistemáticas dentro das comunidades ou com uma boa variedade de modalidades. Conseguir superar essas adversidades e ofertar programas acessíveis e descentralizados exige um trabalho de intersetorialidade entre poder público, iniciativa privada e entidades sociais.

Foi exatamente com esse foco que a Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude de Curitiba (Smelj) implantou neste ano o programa Escola+Esporte=10 (EE10), criado por meio de uma parceria com a Secretaria Municipal da Educação. O projeto amplia a rede esportiva ao promover atividades no período de contraturno escolar para crianças e adolescentes de 7 a 17 anos nas unidades da Smelj, escolas municipais e em espaços alternativos em clubes e entidades.

A meta inicial era oferecer 21 modalidades, mas em conjunto com federações, voluntários e entidades, foi possível ofertar 28 atividades esportivas e criar 196 novas turmas apenas em 2017. Isso resultou em 8.179 inscrições nas atividades, um aumento de 62% em relação ao ano anterior. O programa também formalizou 32 convênios com entidades, que receberão suporte técnico e materiais esportivos para atender 3.150 jovens em seus programas, ampliando o alcance das atividades e diversidade de modalidades ofertadas nas comunidades.

Por meio do diálogo, capacitação dos servidores e parcerias que visam ampliar a prática esportiva no município, foi possível gerar um impacto grande em pouco tempo e sem investimentos vultosos, respeitando as condições financeiras do município. Uma realidade que gestores atuais e futuros terão que se adaptar cada vez mais para promover políticas públicas efetivas e descentralizadas.

Marcello Richa é presidente do Instituto Teotônio Vilela do Paraná (ITV-PR)

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