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06/09/2018 - 13h10

Cinzas no paraíso, por Ademar Traiano




Em poucas horas a primeira residência de D. João VI no Brasil, onde morou nosso primeiro imperador, D. Pedro I, onde nasceu, cresceu e foi educado D. Pedro II e nasceu a princesa Isabel, foi destruída pelas chamas.

Mobiliários de época, documentos, quadros e coleções científicas importantíssimas foram deletadas para sempre. Desapareceu um dos mais importantes acervos históricos e científicos do país e do mundo.

O Palácio São Cristovão da Quinta da Boa Vista, o Museu Nacional, onde foi assinada a Independência do Brasil, e se realizou a primeira Assembleia Constituinte da República, virou cinzas no dia 2 de setembro, em plena Semana da Pátria. Prato cheio para os que gostam de metáforas impactantes e para os que vibram com simbolismos sombrios.

A catástrofe abriu uma comporta de críticas e troca de acusações. Quem tem a culpa por essa calamidade? O PT, que vem se esforçando em transformar o Brasil em uma república de bananas, de tanto insistir na candidatura ‘fake’ de Lula, apelando para supostos rosários do Papa, para inexistentes manifestações de apoio de times de futebol europeus, para imaginários mandatos coercitivos da ONU, foi também o principal protagonista da tragicomédia que se seguiu.

Dilma Rousseff, ninguém mais ninguém menos, apontou Michel Temer e o “golpe” como responsável pelo incêndio. O diligente jornalista Josias de Souza foi atrás e descobriu que, desde o primeiro mandato de Dilma que o Museu Nacional, subordinado à Universidade Federal do Rio, não recebia nem mesmo a totalidade dos R$ 520 mil anuais que deveriam custear sua manutenção. A rubrica murchou para R$ 427 mil em 2014. A cifra caiu para R$ 257 mil em 2015. Em 2016, ano do impeachment, liberaram-se R$ 415 mil.

Atualmente a o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista estava sob a guarda reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, controlada pelo PSOL, aliado histórico do PT. Apesar de administrar um orçamento de R$ 2,3 bilhões, a UFRJ não deu a mínima para as assustadoras carências do Museu Nacional. Elas eram visíveis a olho nu, por qualquer leigo, até em gambiarras elétricas que só se imagina encontrar nos mais decadentes muquifos.

Esse constrangedor esqueleto no armário não impediu que o candidato do PSOL, Guilherme Boulos, que se notabiliza por invadir propriedades urbanas alheias (invasões como as que causaram o terrível incêndio no centro de São Paulo, no início deste ano, causando a destruição total de um prédio de 24 andares e 9 mortos) apontasse o dedo acusador. Boulos não se constrangeu com o envolvimento direto de seu partido na tragédia.

“Muito triste o incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro, atingindo 20 milhões de itens da nossa história. Os cortes criminosos de Temer em recursos da Cultura e em investimentos estão condenando nosso futuro e destruindo nosso passado”, fulminou candidato do PSOL no Twitter com a desfaçatez dos insanos.

O Brasil cultiva duas tradições funestas. Não valoriza seu patrimônio cultural e o deixa a mercê do tempo e da sorte até que seja destruído. Temos um currículo capaz de matar de inveja o mais perigoso dos piromaníacos. Só entre 2008 e 2015, 8 instituições brasileiras importantíssimas do ponto de vista histórico, científico e cultural foram destruídas pelas chamas. As providências, quando acontecem, vem depois do desastre e quando há pouco a fazer.

O governo Temer acaba de encampar a o que restou do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista. Provavelmente vai gastar, para reconstruir o prédio, que praticamente não terá acervo, dez vezes mais do que foi investido em 200 anos para manter o Museu Nacional e o seu patrimônio.

O Brasil tem 3.100 museus. Desses, 2077 são públicos, controlados pela União, pelos estados e municípios. Em lugar de trocar acusações sobre quem tem culpa pelo desastre do Museu Nacional, seria muito mais sensato que se fizesse já uma vistoria em todas essas instituições para verificar as condições de segurança, para saná-las e evitar uma nova tragédia.

Além de não zelar pelo que temos, cultivamos a sinistra tradição de só chorar pelo leite derramado. Precisamos mudar isso. Antes do próximo incêndio.

 

*Ademar Traiano é deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e vice-presidente do PSDB do Paraná

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